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Entrevista com Pat Hendricks

por Ikuko Kimura

Published Online

Traduzido por Carla Valverde

A entrevista foi conduzida por Ikuko Kimura no mês de Maio de 2002, Aiki Expo, em Las Vegas, Nevada

Pat Hendricks na Aiki Expo 2002

Ikuko Kimura: Como está a correr a Expo?

Pat Hendricks: Isto é mais do que eu tinha imaginado! Existe tanto talento aqui, não só os professores, que são fantásticos, mas tanta gente de um nível muito alto! Eu acho que nunca verei um evento igual a este em toda a minha carreira de artes marciais.

Eu ouvi dizer que treinou muito para se preparar para a demonstração?

Sim, os meus três alunos, que são todos excepcionais, no seu devido direito e eu temos feito demonstrações juntos noutros eventos de artes marciais, assim primeiro, eu pensei: “Nós temos a nossa própria demonstração, podemos só modificá-la um pouco.” Mas depois eu senti que este evento era tão importante que eu quis pôr mais tempo e ajudar a fazer este momento tão especial como merece ser.

Quantos estudantes trouxe?

Vieram oito uchideshi (estudantes internos) do meu dojo, e dois estudantes que agora são professores, mais dez estudantes meus e uns quatro ou cinco de várias regiões.

Quantos estudantes tem?

No meu dojo, eu tenho cerca de sessenta adultos e cinquenta ou sessenta crianças, o que faz mais de cem, todos juntos.

Ensina todos os dias?

Sim. A minha filosofia, que eu recebi através de Saito Sensei é que, independentemente da minha graduação, e do quanto avançada eu sou, é mesmo muito importante fazer tantas aulas quantas puder. Assim, quando estou no dojo e não estou a viajar, dou as aulas todas. É só o que eu faço. Dou as aulas de crianças porque sinto que isso as inspira.

Quando é que começou a praticar Aikido?

Comecei no Verão de 1974, numa pequena universidade em Monterey, onde a Mary Heiny dava aulas. Um pouco depois de me inscrever, encontrei o dojo do Stanley Pranin, que também ficava em Monterey, então comecei a ir lá. Para chegar ao dojo eu conduzia cerca de uma hora em cada direcção, três vezes por semana.

Que idade tinha na altura?

Eu tinha dezoito anos quando comecei, em Junho e fazia dezanove em Setembro, portanto quando entrei no dojo do Stanley no Outono, eu tinha dezanove.

O Stanley disse que se sentia muito orgulhoso de si.

Oh, eu sempre tive um inacreditável apoio da sua parte. Ele foi o meu primeiro professor e eu aprendi muito com ele. Eu tinha aulas com ele três vezes por semana e uma aula de senhoras ao sábado, com a Danielle Smith. A dada altura, mudei-me para o dojo do Stanley e tornei-me uma espécie de uchideshi informal, treinava em todas as aulas.

Por volta 1977, o Stanley foi para o Japão. Nós fomos para Oakland treinar com o Bruce Klikstein. O Bruce já tinha estado em Iwama uma vez e estava a preparar-se para partir e ficar uma temporada maior.

O Bruce, alguns dos alunos mais graduados e o Stanley, noutras palavras, todos aqueles que me eram próximos iam para Iwama. Então eu decidi: “Bem, também vou. Deve ser um bom lugar”. Eu tinha feito um ano ou um ano e meio de universidade e decidi tirar um ano e ir para o Japão. Eu fiquei mais de um ano, o que era mais do que eu tinha planeado. Isto foi no Outono de 1977, quando ainda havia poucos estrangeiros ou uchideshi. O treino era muito severo e tradicional. Em Iwama ainda é tradicional, mas nem toda a gente tem que passar por aquilo que eu passei. Naquele tempo qualquer uchideshi tinha um contacto directo com Saito Sensei e com a sua família. O Bruce Klikstein e eu fomos os únicos uchideshi durante aquele ano.

Não havia uchideshi japoneses?

Não. Havia pessoas que vinham e ficavam por um mês ou dois, mas o único uchideshi de longa estadia antes de nós foi Shigemi Inagaki. Ele foi o primeiro uchideshi de longa estadia de Saito Sensei. Saito dava aulas de manhã, quando só nós os três treinávamos. Era um treino muito duro, muito intenso. Eles eram 3º ou 4º dan e eu tinha acabado de chegar a shodan. Aprendi muito nestas circunstâncias, incluindo o meu treino de armas.

Como uke para Morihiro Saito, no Dojo de Iwama, c. 1988

Estar em Iwama por mais de um ano e treinar desta maneira deve valer uns poucos de anos de treino noutro sítio?

Absolutamente. Nos víamos Saito Sensei durante todo o tempo e trabalhávamos com ele lado a lado.

Ele viajou para fora durante esse tempo?

Durante a minha estadia, ele fez a sua primeira viagem internacional, à Suécia, mas era muito invulgar ele viajar. Ele nunca viajou tanto como nos últimos dez ou quinze anos. Depois da sua viagem à Suécia, ele não viajou para nenhum sítio durante muito tempo. Ficava no dojo a maior parte do tempo; ele lanchava connosco e até cozinhava para nós. Esse tempo foi maravilhoso nesse sentido, mas o treino era muito, muito severo e houve muitas pessoas que se magoaram. Eu fiz o meu exame de shodan um pouco depois de entrar para o dojo e duas semanas depois parti um braço. Mas nesse tempo, não se pára, então, eu fui assistida por um velho médico cego, o Dr. Tachikawa, que era muito famoso em Iwama. Quando entrei e vi este velho homem cego a tactear-me com as suas mãos, pensei: “Agora sim, eu vou ter um problema.” Mas ele foi fantástico. Ele era um curador genuíno! Ele tratou-me de mim como um caso especial e usou todo o tipo de agulhas para fazer com que o meu braço funcionasse outra vez.

Quantas semanas depois?

Dentro de duas ou três semanas, o meu braço estava curado e eu treinava só com uma mão. A cura completa demorou cerca de cinco semanas. Era no Inverno, por isso a cura era mais lenta. Eu fiquei completamente curada, e ficou bom depois disso. Era a forma como as coisas se faziam nesse tempo. Se numa noite, tu sangrasses do nariz ou torcesses alguma coisa, isso fazia parte do percurso. Eu magoei-me muitas vezes, mas penso que esse foi o tempo em que Saito Sensei decidiu fazer um grande esforço para tornar o treino mais seguro. O Bruce estava lá nessa altura e o Sr. Inagaki também. O Bruce foi um grande sempai e um grande irmão para mim. O seu Aikido era fantástico.

Porque se interessou por Aikido?

No Liceu eu via muitos filmes do Bruce Lee e sentia-me naturalmente atraída para as artes marciais.

E porquê o Aikido?

Para ser honesta, foi uma coincidência. Eu queria praticar artes marciais e o Aikido era o que estava disponível na altura; mas desde que fiz a minha primeira aula, soube que era para mim. Tudo encaixava, os movimentos, a filosofia, a forma como as pessoas falavam, tudo! Eu não sei se teria seguido outra arte, mas o Aikido serviu-me desde o princípio.

Experimentou outras artes marciais?

Ao longo dos anos, tenho tido muitos amigos nas artes marciais e tenho feito muitos estágios como este, apesar de mais pequenos. Em muitos seminários, nós temos as classes que são oferecidas. As pessoas pedem-nos que experimentemos muitas coisas, e foi assim eu experimentei muitas artes marciais diferentes, mas o Aikido tem sido um caminho muito consistente ao longo de toda a minha vida.

Então, esteve em Iwama mais de um ano e depois voltou para a América?

Eu voltei para a América durante cerca de oito anos e depois voltei a Iwama durante alguns meses e continuei a voltar frequentemente como uchideshi de curta estadia, até 1988, quando decidi ser uchideshi de longa estadia pela última vez. Eu fiz quinze ou dezasseis visitas a Iwama, mas aquela era a minha quinta ou sexta. Eu já tinha começado o meu próprio dojo em 1984 e deliberadamente decidi entregá-lo a um amigo e voltar ao Japão, onde fiquei cerca de dezoito meses.

Se somar todo o tempo que esteve no Japão, quanto tempo seria?

Eu acho que seria cerca de seis anos. Em 1988, eu tive muitas oportunidades. É uma história engraçada. Uma vez, Saito Sensei estava a ser entrevistado para a revista japonesa Wushu, ele fez algumas coisas comigo mas usou principalmente os uchideshi masculinos.

Depois, toda a gente se vestiu para lanchar, excepto eu que estava servir chá com o meu keikogi vestido, tal como normalmente fazia. Saito Sensei disse a este homem, que eu acho que era o editor: “Bem, eu acho que posso demonstrar com ela, apesar dela ser uma rapariga “. Ele começou a demonstrar e nunca mais parava.

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