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Onde há vontade há uma solução

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por Stanley Pranin

Aiki News #90 (Winter 1992)

Traduzido por Jaqueline Sa’ Freire (Hikari Dojo – R.J.)

Algumas pessoas sabem que sou o orgulhoso pai de um menino de 10 meses. Como qualquer pessoa que já se aproximou de um bebe sabe, ver uma criança passar por mudanças diariamente é uma experiência fascinante. Subitamente eu e minha esposa nos descobrimos discutindo sempre o assunto do aprendizado. Tendo estado no papel de aprendiz ou de professor por quase toda a minha vida, a razão do como aprendemos—ou nos recusamos a aprender—nunca se afastou de minha mente. Através dos anos eu desenvolvi minhas próprias idéias sobre aprendizado, algumas das quais parecem ser contrárias à sabedoria popular. Aqui estão alguns exemplos.

“Crianças aprendem melhor. A capacidade do ser humano de absorver novas informações ou adquirir novas habilidades diminui com a idade.” Quem já não ouviu esse tipo de comentário expressado em inúmeras ocasiões? Mas este ponto de vista sobrevive a uma análise cuidadosa? Eu seria o primeiro a garantir que crianças são aprendizes fantásticos. Eu vejo a evidência disso todos os dias diante de meus olhos. Mas eu gostaria de apontar algumas coisas. Antes de tudo, crianças, especialmente bebes, passam grande parte do seu tempo explorando o lugar em que nasceram. Eles se concentram por horas e horas, todos os dias. Cada novo objeto ou pessoa que eles encontram é um novo mundo a ser visto. Particularmente no início, nós os vemos progredir em um ritmo impressionante. Mas nós julgamos seus progressos em uma escala totalmente diferente da que usamos para um adolescente ou para um adulto.

Vamos tomar um exemplo específico. Uma criança começa a falar suas primeiras palavras por volta de um ano de idade. Mas isso é tudo—apenas palavras. No início ela não usa frases. A criança está, na verdade, aprendendo uma língua “estrangeira”. Nós julgamos que uma criança que pode usar algumas palavras com a idade de 18 meses está aprendendo rapidamente. Por outro lado, se um adulto está aprendendo uma língua estrangeira e consegue apenas usar umas poucas palavras após vários meses de estudo, ele é considerado lento. Nós temos dois padrões para avaliar o aprendizado, favorecendo muito a criança. Espera-se menos dela.

Agora, pegue esta criança com seu repertório verbal recém adquirido, e a coloque em uma cultura diferente aonde se fala outra língua, e ela rapidamente esquecerá todas as palavras que aprendeu—provavelmente em seis meses ou menos. É como diz o velho ditado, “vem fácil, vai fácil!” O adulto que aprende uma língua estrangeira vai esquecer também, mas em uma velocidade menor que a criança, porque tem a capacidade de relacionar o novo conhecimento ao velho conhecimento, o que gera certo apoio.

Aqui está outro clichê que certamente você reconhecerá. “Alguma pessoa tem mais capacidade de aprender uma língua estrangeira”. Todos admiramos pessoas que podem falar mais de uma língua. Mesmo assim, nessa afirmação está inerente a premissa de que algumas pessoas possuem uma habilidade mental inespecífica necessária ao aprendizado de uma língua estrangeira. Considero isso uma bobagem, pois como todos os que viajam para a cidade de Montreal ou para a Suíça rapidamente descobrem, existem vários paises ou regiões geográficas no mundo em que é normal ser bilíngüe, ou em que se usa múltiplas línguas. Devemos crer que há algo especial no conjunto genético nestas regiões que gera gênios em linguagem? Absurdo! Qualquer criança normal colocada neste ambiente vai adquirir as mesmas habilidades lingüísticas, não importando sua carga genética. É apenas o ambiente, o sistema educacional, e os esforços do indivíduo que tornam possível aprender uma linguagem. Somente uma pessoa que fala apenas uma língua poderia dizer tal coisa sobre um “dom” de linguajem, porque acredita que a tarefa de dominar uma nova língua está alem de sua capacidade. Um morador de Montreal ou um suíço certamente riria desta idéia.

Mais um exemplo para ilustrar meu argumento. Como adulto, eu vi a era da computação para as massas surgir. Trabalhando em tradução e publicação por muitos anos, descobri que computadores são ferramentas essenciais e passei muitas horas por dia diante de monitores. Com o passar dos anos, devido a mudanças no pessoal do Aiki News, eu tive cerca de 50 a 60 colegas, e muitos deles deveriam usar computadores em seu trabalho. Alguns mais jovens não pareceram se incomodar por ter que aprender a operar um computador, mas a maioria do grupo mais velho, especialmente mulheres de 30 a 50 anos, pareciam geralmente atacadas por uma fobia de computador. Seus comentários sempre seguiam a seguinte linha: “Já estou com 40 anos e acho que não consigo aprender como quando era jovem.” Ou “Computadores são muito complicados e eu não sou bastante inteligente para aprender a usá-los”. Ficou óbvio para mim que estas senhoras estavam—desculpem a metáfora—“programadas” para acreditar que suas capacidades mentais diminuíram com a idade e que elas não eram mais capazes de aprender uma nova e complexa habilidade. Uma vez, meio de brincadeira, perguntei uma dessas colegas de meia idade se ela achava, realmente achava, que poderia aprender a operar um processador de texto em um mês, lendo o manual, se ela fosse receber um milhão de dólares se conseguisse aprender, Ela, sem hesitar, respondeu que sim, o que não me surpreendeu nem um pouco.

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