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A virtude da espada

por James Williams

Aikido Journal #119 (2000)

Traduzido por Jaqueline Sá Freire (Hikari Dojo – RJ)

O treinamento em várias artes militares, aparentemente antiquadas, está se tornando cada vez mais comum em nossa sociedade do século 21. Porque buscar estas artes que requerem tanto esforço, disciplina, e em muitas vezes, trazem dor? Porque buscamos nos testar em lutas e treinar para o combate? O que nos trouxe para essas artes, e o que esperamos conseguir destes treinamentos?

Sempre me perguntam por que eu pratico e ensino técnicas clássicas de guerra, e porque aderi a uma filosofia que parece ultrapassada para muitas pessoas. A espada definiu o guerreiro por milhares de anos. Ela definiu o poder, a ética, o dever e a auto defesa de uma classe de pessoas que formou a face da civilização neste planeta. A habilidade, o exercício, o desenvolvimento mental e o simples prazer que acompanham o uso da espada são únicos. O combate com armas cortantes é a forma mais exigente de combate físico. Não apenas exige grande habilidade, tanto física quanto mental, é uma arte que desenvolve no adepto habilidades que o separam dos demais e aumenta a intuição, os reflexos e a técnica ao mais alto grau. Para o guerreiro, a espada representa seu dever, sua honra e sua responsabilidade.

Esta não é, em sua maioria, uma sociedade que valoriza o guerreiro por suas virtudes. Nossa sociedade se esqueceu dos sacrifícios e lutas dos que a antecederam, e desfrutamos dos frutos desses esforços e sacrifícios; é uma sociedade que exigirá de seus militares, mas não honrará ou cuidará de seus homens. É uma sociedade em que a virtude é frequentemente olhada com estranheza, em que caráter não é algo desejado daqueles que querem nos liderar. É uma sociedade que desfruta de enorme abundância mas que nega a seus militares a munição necessária para o treinamento para proteger a própria riqueza. Porque um significante número de cidadãos busca treinamento e abraça virtudes que parecem antiquadas? Talvez não tenhamos todos esquecido que há menos de 60 anos o mundo inteiro se envolveu em uma luta para determinar se é possível a existência de uma nação livre. A maioria de nós conhece alguém que participou desta batalha, e por cujos esforços temos o direito à escolha e à abundância que parecem não serem levados em conta por muitas pessoas.

“Vitória a qualquer preço, vitória apesar do terror, vitória sem se importar o quanto é longa e árdua a jornada; pois sem vitória não há sobrevivência”.

Winston Churchill

“Porque sem vitória não há sobrevivência.” Essas palavras definem o papel do homem na história, seu serviço à vida. A dura realidade da liberdade em uma nação – um fato que é esquecido ou negado por muitos – é que nossa liberdade é o resultado direto de nossa força. Foi com luta e conflito que nos tornamos livres e nos mantivemos assim. Nós recebemos de nossos ancestrais, a um alto preço, um presente maravilhoso que deve ser valorizado e respeitado se queremos passá-lo para nossos filhos. Deve ser protegido, deve-se lutar por isso se for necessário, e não podemos deixar que esse presente nos seja arrancado por pessoas com ações e retórica ilógicas. Essas são pessoas que buscam seu próprio bem à custa do bem de todos.

“Liberdade significa responsabilidade, e é por isso que a maioria foge dela”.

George Bernard Shaw

Em qualquer ponto da história em que você olhe, este é o caso. Quando nossa força se vai, não mais somos livres. Seremos tiranizados e mandados por pessoas que não nós mesmos. Mas isso significa que devemos cultivar a agressão e a beligerância? Absolutamente não! Entretanto, isso significa que precisamos cultivar em nós as virtudes que guiam os povos livres: coragem, honra, verdade, responsabilidade, perseverança, caridade, força temperada com compaixão, crítica temperada com tolerância.

A virtude como pré-requisito para a liberdade

É o fato de se cultivar a virtude o que assegura a vontade e a capacidade para ser livre. Uma sociedade se degrada com a perda da virtude e da importância que se dá à virtude. Isso é o que nos ensina a história. Sempre me surpreende que eventos e lições aprendidos do passado sejam esquecidos tão rapidamente. É como se fossem deliberadamente apagados de nossa memória. A história da humanidade é abarrotada com a loucura desse mecanismo, mas mesmo assim persistimos no erro.

“Se perdemos o passado,” diz o poeta chinês do século 9th Meng Jiao, “a vontade facilmente se destroça.” Esta turvação e esquecimento do passado é uma importante ferramenta da arquitetura social, como se evidencia na China moderna, um dos muitos exemplos do século XX. A falha de informações ou a falta delas, fato que é tão importante na agenda política e social, nos separa de nosso passado. Esta perversão proposital da verdade deveria ser abominada pelas pessoas que valorizam a virtude. Deve ser abominada porque as pessoas mascaram a verdade e buscam mudar a ordem da sociedade com falsidades. Como guerreiros, não precisamos ir muito atrás na história para encontrarmos situações em que a coragem e o sacrifício de alguns beneficiaram todos.

“Nunca no campo do conflito humano tantos deveram tanto a tão poucos.”

Dito por Churchill em referência ao débito do povo Inglês à força aérea durante a Batalha da Inglaterra.

A razão pela qual somos impelidos a cultivar habilidades clássicas de guerreiros e suas virtudes é o sentimento de dever para com a sociedade. Nos preparamos para os tempos em que podemos ser chamados para proteger e defender. Qualquer outra razão é egoísta e potencialmente auto-destrutiva. Ser forte ou ser um bom lutador não é um ato nobre em si. Para mim, o treinamento em kenjutsu e em artes militares correlacionadas me preparam para ser um bom cidadão. Isso me capacita para ser útil quando é necessário proteger e defender. Isso me ensina auto disciplina e a moderar minhas atitudes. Aprendo perseverança e coragem em face da dificuldade para não ser facilmente desencorajado. E isso se soma à coragem de se viver não apenas por si, mas pelos outros. Para mim, ensinar é dar aos outros o que me foi dado. É como ter filhos, é completar o círculo. Será um grande benefício para a sociedade que aqueles de nós que aspiram por uma natureza mais nobre venham a lutar para imbuir a sociedade com amor, comprometimento e ação positiva. Quando cuidarem e protegerem aqueles que necessitam! Quando apoiarem-se uns aos outros contra quem tem má índole e que tentam se aproveitar dos fracos e indefesos!

Os aspectos mais nobres da consciência humana, nossas virtudes, ficam no passado ainda mais rapidamente quando encontramos substitutos para a vida conectada com a realidade de nossa existência. Quanto menos plantamos, caçamos, obtemos nosso alimento, menos diretamente nos envolvemos com a necessidade de nos protegermos e às nossas famílias e a nossa nação, mais facilmente perdemos nossa virtude. Quanto menos conhecemos e valorizamos nosso passado, menos honramos aqueles que com coragem e sacrifício nos trouxeram nosso estado atual de liberdade e abundância, e será menos provável que os que nos seguirão receberão esse estado invejável. Será que somos tão egoístas que nossas decisões são tomadas com base em nossas vontades pessoais e apenas para nossa facilidade? Somos tão facilmente compráveis que vendemos nossa liberdade e a de nossos filhos pelo conforto?

O guerreiro como protetor da sociedade

O guerreiro protege e defende porque compreende o valor dos outros. Ele compreende que todos são essenciais para a sociedade e, com seu serviço, reconhece e valoriza o serviço dos outros. Essa responsabilidade se estende também às crianças. Quando você estiver em um banheiro público, fique atento caso haja uma criança lá. Até mesmo espere mais um pouco para ter certeza que a criança saiu em segurança, antes de você sair. È uma triste verdade que banheiros públicos podem ser freqüentados por pedófilos e potenciais seqüestradores. Ser pai me faz sentir uma séria responsabilidade por todas as crianças, e espero que outros tomem conta das minhas crianças quando não estou presente. Foram muitas as vezes que observei mães nervosas aguardando do lado de fora de um banheiro público por seus filhos. Você pode ainda dizer à mãe que vai ficar de olho pela segurança da criança em lugares aonde a mãe não pode entrar.

Há outras maneiras em que podemos ser diariamente úteis. Por exemplo, demore mais um pouco quando estiver em um estacionamento escuro, para ter a certeza se alguma mulher entrou seguramente em seu carro antes de você mesmo ir embora. O envolvimento diário neste tipo de situação funciona como um treinamento tanto quanto o tempo passado no dojo, e na verdade deveria ser a razão do tempo usado para o treinamento.

O papel e a habilidade de proteger e defender não dá ao guerreiro-protetor o direito de abusar de sua força e de seu conhecimento. Você não é superior nem tem o direito de tirar vantagem dos outros usando sua força ou sua habilidade. Se você quebra essa confiança e sua sagrada responsabilidade, então você não é um guerreiro-protetor. Por séculos esse poder tem sido mal usado com freqüência na sociedade com a finalidade de dominar e controlar os outros. Este é o lado negro do poder e não pode ter lugar na vida de um guerreiro que busca uma vida de virtude.

Quando confrontados com uma mulher ou uma criança em situação de vulnerabilidade, vêem-se dois tipos de homens: os que oferecem socorro e ajuda e os que se aproveitam da situação. E em uma sociedade moderna, existe outro abominável tipo de pessoa que simplesmente ignora completamente um pedido de socorro.

Eu me lembro da primeira vez que eu e meus amigos lemos sobre um incidente ocorrido em New York, em que uma mulher foi atacada e morta, e isso durou um longo tempo. Foi no início dos anos 60, e acho que a duração do ataque foi de 15 a 20 minutos. Os vizinhos puderam ouvir seus gritos de socorro, entretanto ninguém teve coragem de socorrê-la. Eu e meus amigos não acreditamos que algo assim pudesse acontecer na América. Como qualquer pessoa, especialmente um homem, poderia ouvir uma mulher sendo assassinada sem ir em sua defesa? Muitas leis atuais colocam uma pessoa que vai ajudar outra em “perigo legal”. Seria isso um sinal de saúde social e psicológica de nossa sociedade?

Em 1977 eu ensinava e competia em boxe e kick boxe e ensinava a mulheres e idosos defesa pessoal, no Instituto para Melhor Saúde em Santa Rosa, na Califórnia. Ocorreu um incidente em Rancho Cordova, na Califórnia, que teve grande impacto para mim, como homem e praticante de arte marcial. Este incidente foi a invasão de uma casa, com um estupro e um assassinato. Um casal estava em casa quando ouviram um barulho no quarto. O homem foi investigar, e foi confrontado por um homem armado com uma faca, que tinha entrado pela janela do quarto. Ameaçado, o marido se rendeu, e se deixou ser levado para a sala e amarrado a uma cadeira. O criminoso estuprou a esposa, e o marido só pode observar. Após o estupro, o criminoso pegou um martelo na garagem e bateu no marido até a morte, na frente da esposa. Após brutalmente matar o marido, atacou a mulher com o martelo, e partiu pensado que ela estava morta. A mulher, que não tinha morrido,conseguiu se arrastar para for a da casa e os vizinhos a ouviram gemendo e foram ajudá-la. Ela sofreu ferimentos físicos e emocionais que a marcaram por toda a vida.

Eu sempre imagino o que passa pela mente de um homem quando ele, por medo ou falta de treinamento, falha em cumprir sua responsabilidade em tais circunstâncias. Todos sentimos medo. É por isso que precisamos nos preparar, treinar, compreender que parte tomamos na dança da vida. Seria muito mais honrado, mais nobre, ter lutado contra o assaltante, mesmo com poucas chances de vitória, dando à esposa uma oportunidade de fugir! A preparação para esse tipo de eventualidade poderia ter dado a ambos a possibilidade de um final melhor.

Em 1984, um amigo meu, Toby Threadgill, que agora ensina arte samurai no Texas, enfrentou uma situação ainda mais difícil. Ele foi acordado por dois homens que tinham seguido sua esposa, que voltava tarde da noite de seu trabalho como enfermeira, com a intenção de estuprá-la. Um dos criminosos apontava uma arma para a cabeça dele enquanto o outro foi procurar pela esposa. Vendo suas intenções, e colocando sua vida em risco, meu amigo conseguiu desarmar o criminoso jogando-o por uma porta de vidro. Então ele foi confrontado pelo segundo homem, que tinha uma faca, e conseguiu, mesmo se ferindo seriamente, desarmar e incapacitar o criminoso. Mesmo sendo uma pessoa gentil e amigável, Toby estava preparado mentalmente e fisicamente, e quando enfrentou uma situação perigosa, ele tinha a habilidade e a coragem para usá-la. Foi um desfecho muito melhor!

A sociedade fica vulnerável a todas as ameaças quando os homens não mais sentem a necessidade de se prepararem adquirindo habilidades para a proteção e defesa da sociedade, especialmente das mulheres e crianças. Quando os homens não mais tomam essa responsabilidade, e quando o sentido de dever é substituído pela preocupação por si mesmo e auto indulgência, a sociedade perde a sua maior força – o cuidado mútuo e compromisso dos cidadãos uns com os outros.

Cortesia: uma demonstração de respeito

Cortesia é o elemento essencial do guerreiro. Deveria ser o ato que o define e deve ser praticado diariamente.

“Ser um samurai é ser educado em todos os momentos.”

Hojo Nagauji

Cavalheirismo define um ideal do personagem heróico. Combina a invencibilidade, força e valor, justiça, modéstia, lealdade aos superiores, cortesia aos semelhantes, compaixão com os mais fracos, e devoção a Deus; é um ideal que, mesmo que nunca atingido na vida real, sempre foi visto como o melhor modelo a ser seguido.

Os atos de cortesia são em primeiro lugar e principalmente para com você mesmo. O respeito e cuidado com você pode então ser estendido aos outros seres humanos. Este valor altruístico, bem como a maioria das virtudes, está sendo sacrificado pelo direito do indivíduo a todas as formas de indulgência. E, no mesmo processo, o indivíduo é então pressionado a se conformar com o pensamento político do estado.

Demonstrar cortesia é uma demonstração de força interior e segurança. A cortesia é o que lubrifica a cultura, e deve ser a marca registrada do guerreiro. Nenhuma situação piora com o uso da cortesia, e ela melhora muitas situações. Eu gosto de demonstrar cortesia às mulheres de todas as maneiras possíveis. Quando seguro uma porta ou carrego um objeto para uma mulher, não penso que ela não seja capaz de fazer isso sozinha. Faço isso em reconhecimento por seu intrínseco valor para a sociedade e para mim. Homens recebem o direito de serem respeitados e devem demonstrar cortesia. Esse processo de merecer respeito é uma importante parte de seu valor. O mundo perde seu sentido e valor em uma atmosfera em que se pensa que uma pessoa deve merecer respeito simplesmente porque existe, sem se dar importância a suas ações e ao seu valor na sociedade.

Uma atitude de cuidados egoísticos se tornou mais comum enquanto nossas vidas se tornaram mais fáceis. Arriscar-se pelos outros ou por um princípio é uma atitude cada vez menos comum. Nos tornamos menos comprometidos uns com os outros, e criamos um mundo em que aparentemente não precisamos uns dos outros para sobreviver. Virtudes como coragem, honra e integridade chegam a carregar um estigma em certos círculos. Até as fundações do caráter são atacadas por aqueles que não compreendem que não há nada de nobre em um ser humano sem essas virtudes.

Não é para todos o papel de ser um guerreiro, entretanto, aqueles que respondem a esse chamado devem treinar e estudar ao máximo que são capazes. Existem muitos guias e heróis que podemos ver como guerreiros, e não são só homens. Uma das que eu noto, Madre Teresa, faleceu recentemente. Sinto grande inspiração observando a vida dela. Ela encontrou o propósito de sua vida e o viveu firmemente, e pelo meu ponto de vista, gloriosamente, dando ajuda aos que eram fracos demais para que as outras pessoas sequer lhes dessem atenção. A coragem, amor e total falta de egoísmo que ela demonstrou deveriam servir para inspirar a todos. Se eu puder viver minha vida fazendo apenas uma fração do que ela fez pelos outros, vou me considerar realizado.

Ensinar se torna um meio pelo qual podemos passar o conhecimento e a sabedoria adquiridos dos que nos precederam. Não se trata de auto-gratificação ou superioridade. Não se trata de títulos ou graduações, ou organizações ou ganho material. Na maioria do tempo, eu sinto que aprendo mais com meus alunos do que eles comigo. O professor se torna aluno e o aluno, professor. Um não pode existir sem o outro.

Como seres humanos, somos todos diferentes. Ter habilidades,diferentes, força diferente, conhecimentos diferentes, não significa que um indivíduo não tem habilidades que beneficiam a ele e à sociedade. Sou contra a padronização que é uma parte importante da teoria da sociedade moderna. É absurdo e contra nossa natureza humana. Eu sou um homem grande, forte, com mais de 1.80 m, que passou a maior parte da vida adulta envolvido com atividades militares e combativas, estudos e treinamento. Minha mulher é 30 cm mais baixa e tem a metade do meu peso. Somos fisicamente adaptados para diferentes tarefas na vida. Eu respeito e gosto de sua força e feminilidade. E muito mais porque eu estava a seu lado, com a pouca capacidade de um homem, enquanto ela teve nossos dois filhos, com sua coragem e minha fraca assistência para encorajá-la e apoiá-la.

“Quando a escolha é entre covardia e violência, eu recomendo firmemente a violência.”

Mohandus Ghandi

Não estamos mais treinando nossas crianças, especialmente nossos meninos, para lidar com a dor, a derrota e o desconforto com o coração firme e um espírito estóico. Parecemos pensar que removendo as conseqüências de suas ações estamos realmente lhes dando um benefício. Eles não desenvolvem seus espíritos com base em tentativa e esforço.

Quando não há dor, morte, desafios, sem lutas, adversidades e sem desapontamentos, perdemos a melhor parte do ser humano. Quando estruturamos a vida e a sociedade sem desafios, não haverá coragem,perseverança, honra, compaixão, cuidados ou comprometimento. Teremos perdido a melhor parte do que somos porque teremos permitido que o medo tire isso de nós. Não mais precisaremos um do outro, e essa será a maior das tragédias.

Ser um guerreiro significa estar comprometido em fazer o maior dos sacrifícios e o maior dos gestos. O guerreiro-cavalheiro deve ter responsabilidade por seus atos e usar seu poder para o bem da sociedade e de seus semelhantes. Um antigo ditado samurai diz “Matar quando é certo matar e morrer quando é certo morrer!” Pelo mesmo viés, o código do rei-guerreiro Sumeriano diz que ele deve agir como um pastor para seu povo. O papel do guerreiro como influência estabilizadora na sociedade civilizada e como protetor dos fracos é velho como a própria civilização.

Esparta X Grécia

Muitos, principalmente mulheres, pensam que ser um guerreiro significa ser um opressor. Entretanto, a história não necessariamente apóia essa idéia. Em Esparta, a mais forte cultura guerreira que a Grécia produziu, a mulher tinha mais liberdade que qualquer outra mulher grega naquele tempo. As mulheres recebiam a mesma educação dos homens, e partilhavam a vida com seus companheiros de maneira muito mais próxima que as mulheres de Atenas.

Em matéria de sexo, os espartanos, sinceros por natureza, parecem ter tido o maior índice de monogamia de toda a Grécia. Eles tinham grande estima por suas mulheres, e a mulher espartana tinha maior igualdade que suas irmãs gregas, e eram tratadas de acordo com padrões mais ao estilo oriental que as demais.

Os espartanos também eram reconhecidos por suas virtudes e por serem os mais religiosos dentre os gregos. Há uma história, contada por Plutarco sobre os espartanos em uma das Olimpíadas. No meio da multidão nos jogos olímpicos, um velho procurava em vão por um lugar para se sentar e assistir aos jogos. Suas claudicantes tentativas de encontrar um lugar foram vistas por muitos homens de vários lugares, que fizeram piadas sobre sua idade e sobre a dificuldade dele encontrar um assento. Quando, depois, ele chegou ao lugar aonde os espartanos estavam sentados, todos os homens se levantaram e ofereceram seus lugares. Mesmo envergonhados, admiravelmente, os outros gregos aplaudiram esse comportamento. Diz-se que o velho homem disse com um suspiro “Ah, vejo que todos os gregos sabem o que é certo, mas só os espartanos fazem o que é certo.”

As mulheres também viviam bem em outras sociedades guerreiras. As mulheres viking possuíam suas propriedades e podiam se divorciar de seus maridos se fossem maltratadas. Os celtas britânicos com freqüência tinham mulheres como chefes e muitas tribos eram matriarcais. É um erro acreditar que por serem os homens guerreiros eles desprezam as mulheres.

“Ele descobriu que os maiores valores éticos, sobre os quais toda a existência é baseada, devem, como ultimo esforço, ser defendidos até pela força e com o sacrifício de vidas….”

Max Born sobre as descobertas de Albert Einstein antes da Segunda Guerra Mundial.

“Diga aos espartanos, estrangeiro que por aqui passa, que aqui estamos, de acordo com suas leis.”

Epitáfio escrito pelo poeta Simonides no antigo monumento que celebra a coragem e sacrifício de espartanos em Thermopylae

A virtude deve ser ensinada e praticada, deve ser alimentada e passada a cada geração. A liberdade igualmente deve ser praticada. Do contrário, perece facilmente. A virtude e a liberdade andam de mãos dadas. Desprezar uma é desprezar a outra. Uma sociedade que perde as virtudes dos guerreiros é mais pobre e rapidamente se torna uma sociedade em que a liberdade se perde. O homem tem uma diretiva genética original – um serviço para toda a vida – de proteger e defender. Nesse serviço ele é historicamente mais dispensável que as mulheres e crianças. Cada homem é responsável por defender cada mulher e cada criança. Quando o homem deixa de assumir esse papel, quando deixa de ter coragem ou responsabilidade moral, a sociedade deixará de valorizar a honra e a virtude. Nem as leis nem o governo podem substituir este cuidado pessoal e o compromisso. Na ausência do guerreiro-protetor, a única maneira que um governo pode proteger a sociedade é removendo a liberdade de seu povo. E em tal sociedade, os filhos e filhas dos leões se tornam cordeiros.