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Aikido e o fim do tabu sobre o toque

por Stanley Pranin

Aiki News #13 (June 1975)

Traduzido por Jaqueline Sá Freire (Hikari Dojo – Rio de Janeiro)

Uma das questões em que o Aikido pode ser mais importante na vida de um indivíduo é uma das menos mencionadas. É a questão do toque. Seres humanos precisam ser tocados. É de conhecimento geral que se uma criança não recebe o contato do toque em quantidade suficiente - especialmente nos seus primeiros anos, de formação - provavelmente apresentará várias formas de conduta neurótica, que podem persistir na vida adulta.

Limites sobre a questão do toque são determinados culturalmente e variam muito nas diferentes partes do mundo. Por exemplo, homens de mãos dadas, um tabu na cultura americana, é algo considerado uma atitude comum em países árabes. Homens caminham confortavelmente de braços dados na América Latina. Por outro lado, nos Estados Unidos, as mulheres são muito mais livres para tocarem umas às outras que os homens.

Em nossa cultura, as ocasiões em que é aceitável que homens se toquem são mais comuns no contexto de competição. “Esportes de contato” imediatamente são lembrados. E gostemos ou não, apesar do falatório que há sobre “esportividade” e “competição amigável”, muitos destes esportes estão a um passo de uma verdadeira batalha.

O toque entre homens e mulheres, quando fora de um contexto de um relacionamento romântico, ocorrem normalmente de forma superficial com limites claramente definidos. No caso da dança, muitos tabus sobre toque são relaxados, o que é um fenômeno interessante. O toque que ocorre na dança reflete papeis típicos da sociedade, ou seja, o homem lidera e a mulher acompanha. Além disso, o homem é quem escolhe com quem deseja dançar. Novamente aqui existe uma rígida hierarquia.

Vamos examinar em contraste o tipo de comportamento sobre toque visto durante o treino do Aikido. Os homens se tocam com liberdade, de maneira não competitiva. Homens e mulheres também se tocam de maneira aberta, e o que também é importante, os papéis de ataque e defesa se alternam regularmente. A mulher não se restringe a um modelo de atitude subordinada. Apesar da prática do Aikido ser às vezes vigorosa, a atitude fundamental que permeia o toque que ocorre nesse contexto é de harmonia física e de respeito pelo companheiro de treino. Até onde tenho conhecimento, o Aikido é, neste aspecto, único na liberdade de auto-expressão permitida ao praticante.