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Kangeiko: Treinando no Duro Inverno

por Kisshomaru Ueshiba

Aiki News #12 (May 1975)

Traduzido por Arthur de Paiva Napoleão (Hikari dojo - Rio de Janeiro)

O seguinte artigo apareceu no dia 10 de Fevereiro, edição de 1975 do jornal mensal “Aikido”, publicado pelo Aikikai Hombu Dojo, em Tóquio. Foi traduzido do japonês para o inglês por Stanley A. Pranin e Katsuaki Terasawa

Esse ano, numerosos Kangeiko foram organizados. Eu acredito que essa pratica onde se treina tanto a mente quanto o corpo no inverno mortal é tradicionalmente japonês. E é verdadeiramente significativo no disciplinar da mente.

Enquanto eu praticava kangeiko esse ano, numerosas lembranças da minha infância vieram a minha mente. Seguindo o conselho de meu pai eu participei pela primeira vez desse treinamento aos 8 anos. Eu andaria até o Ryobukan Dojo em Kansuki vindo de minha casa em Sengakuji, carregando a roupa de Kendo. Essa caminhada deixou uma vivida impressão da severidade desse treinamento. No meu caminho de casa, eu não posso esquecer do prazer que eu sentia quando, em certas ocasiões, o condutor do carro da rua, que também praticava no dojo, oferecia-me uma carona de graça para casa.

Nos meus tempos de segundo grau, para participar do kangeiko eu tinha que acordar cedo as 04:00 am, para ir ao dojo da escola junto com outros participantes. Uma vez nós removemos todos os bolos de arroz cerimoniais colocados no lado de fora do dojo com a intenção de come-los. Nós fomos severamente repreendidos. Esse episódio não se tornou uma memória agradável.

Depois da guerra, eu recordo que essa tradição foi mantida viva apenas por poucas pessoas. Recentemente, a aceleração no crescimento econômico se tornou obvio e o treinamento da mente e do corpo como um processo de crescimento individual tem, repentinamente, atraído a atenção da sociedade. Eu acredito que o treinamento da mente e do corpo através das artes marciais é extremamente efetivo em que emprega o conceito do Caminho herdado do Japão antigo que coincide bem com o caráter japonês.

No entanto, se há alguma diferença entre o kangeiko do passado e o dos tempos atuais, essa está conectada com a mudança na ênfase no valor estrutural do homem contemporâneo, em particular na importância da unidade familiar básica.

A severidade na busca do Caminho é igual tanto no presente quanto no passado. No entanto, eu não posso ajudar a encontrar a diferença entre os pais que vem ao kangeiko com suas crianças, que treinam com elas, e aqueles que apenas vem e observam seus filhos.

Alguns diriam que isso simboliza a falta de severidade da presente geração. Mas eu antes sou movido pelos seus esforços em explorar um conceito tão tradicional quanto o Caminho nessa presente época. Ao mesmo tempo, eu estou mais impressionado por aqueles que buscam o Caminho através do treinamento duro da mente e do corpo.

Logo após a guerra quando nós revivemos kangeiko muitas poucas pessoas participaram da pratica. Nós pensamos sobre a possibilidade de dar vários prêmios para quem atendesse todas as sessões de kangeiko. Eu esforcei o meu cérebro ao máximo para ter alguma idéia para encorajar as pessoas a participar.

Os kangeiko são atualmente mantidos não só no Hombu Dojo mas em vários dojos em várias localidades simultaneamente. O numero de participantes no Hombu Dojo, sozinho, excedem 200 pessoas. Portanto, se você somar o numero de participantes nos vários dojos por todo o Japão, vários milhares de participantes aproveitaram o kangeiko este ano.

Esse ano, tudo, a partir da economia esta passando por uma fase difícil. Nós gostaríamos de afastar essa nuvem negra de pessimismo com a força mente-corpo adquirida com o Kangeiko do aikido.