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Vinte Anos A Documentar A Vida De Um Homem

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por Joran Fagerlund

Source Unknown

Traduzido por Pedro Escudeiro

Poucas pessoas saberão tanto sobre a história do Aikido como Stanley Pranin. Além disso, ninguém tem sido mais importante na procura de dados precisos da história do Aikido como ele. O Aikidonytt encontrou Stanley para uma entrevista fora do Dojo de Iwama, no final de Maio, depois de uma sessão de fotografias com Saito Sensei para o seu novo volume da série “Takemusu Aikido”.

Como editor-chefe de Aiki News do Aikido Journal ele tem, há mais de vinte anos, documentado a vida de Morihei Ueshiba, fundador do Aikido. Stanley Pranin é conhecido pelo seu cuidado nos detalhes e precisão. Apesar da sua pesquisa, de tempos a tempos, lhe causar problemas, uma vez que as suas descobertas às vezes contradizem a história oficial do Aikido, o seu profundo conhecimento é muito respeitado por toda a comunidade do Aikido.

Qual era o seu objectivo quando iniciou o Aiki News em 1974?

O que aconteceu foi que, uns anos antes, consegui obter alguns documentos japoneses que eram uma série de um jornal que falava acerca da vida de O´Sensei. Como não havia uma tradução deles em inglês, então, com um amigo japonês traduzimos os dezassete artigos. Mostrei-os a algumas pessoas e toda a gente os queria, por isso, começámos a fazer umas cópias mimeográficas deles. Está a ver as máquinas desse tempo, e começámos a dá-los e as pessoas ficaram muito contentes. Sempre gostei de escrever e decorriam alguns eventos na área norte da Califórnia, por isso pensei, “Bem, vamos fazer um pequeno boletim.” Usámos os artigos de O´Sensei como a parte principal e depois algumas notícias locais daquela área. Escrevi um curto editorial e de vez em quando as pessoas enviavam alguns artigos; e por vezes vinha algum mestre japonês, fazíamos uma entrevista e era colocada lá. Começou a partir daí. Era apenas um passatempo. Era como uma forma de distribuir o que tinha vindo a pesquisar privadamente a uma audiência mais vasta.

O que considera ter atingido com o seu trabalho?

Consegui foi arranjar uma data de problemas! (Risos) Penso que mostrámos convincentemente em termos históricos que há uma grande ligação entre o Daito-ryu e O´Sensei e entre a religião Omoto e O´Sensei. Tentar removê-lo desse contexto é prestar um péssimo serviço e tornar muito difícil saber quem O´Sensei era, de que forma ele fora original e o que conseguiu atingir. Isso, e conseguimos historicamente documentar a posição de Saito Sensei dentro do contexto histórico do Aikido. Para além de ser talentoso, aconteceu que estava no local certo, na altura certa. Caso não estivesse empregado nos Caminhos de Ferro, não estaria aqui. Se tivesse um emprego de escritório das nove às cinco, e depois a sua família , nunca poderia ter treinado tão seriamente. Descobrimos algumas coisas históricas que são provavelmente interessantes só para as pessoas que gostam de detalhes. Havia uma ligação forte entre a família Inoue e a Ueshiba. Há uns setenta ou oitenta anos atrás. Há bastante tempo mesmo, isso foi muito, muito importante nos primeiros tempos do treino de O´Sensei. Eles promoveram-no e assistiram-no de muitas formas.

Como seria a história do Aikido sem o Aiki News?

Leia os livros do Aikikai e do Yoshinkan e saberá. O Doshu escreveu uma biografia de O´Sensei que foi publicada, creio que em 1977, e ficou para imprimir durante dois ou três anos. Contém bastante informação histórica importante e informação que inclui coisas da sua experiência de ser filho. Contudo, temos que nos lembrar que O´Sensei historicamente teve quezílias e desavenças com várias pessoas. Apesar de terem havido pessoas importantes a apoiar as suas actividades, ou membros familiares como os Inoue ou as desavenças com o Daito-ryu, havia uma tendência que pretendia fazer com que estas coisas nunca se tivessem passado nos últimos anos. Eles queriam basicamente não mencionar tais coisas. Podemos compreender isto do ponto de vista da natureza humana. Mas, como um historiador, se eliminarmos o Daito-ryu ou a família Inoue teremos uma concepção totalmente distorcida do que é o Aikido e de como veio a ser. Temos que pôr O´Sensei no seu contexto histórico para que possamos compreender quão grandioso ele foi ou quão significativa foi a coisa que fez criando o Aikido. O que é o Aikido? Será uma arte marcial completamente original ou será apenas um Daito-ryu repassado, o que será? Não poderemos dizer a menos que estudemos estes assuntos históricos. Não teremos bases para apreciar o que ele fez.

Fazia alguma ideia da dimensão que o Aiki News iria ter quando começou?

Não, creio que não sabia o que ia fazer. Tive um dojo durante algum tempo. Fui levado pelo facto de querer saber mais sobre O’Sensei. Quando vim ao Japão pela primeira vez em 1969 comecei a procurar alguma informação e não cheguei a lado nenhum. Muito poucas pessoas quiseram cooperar comigo. Não havia quase nada também em japonês. Ninguém tinha feito pesquisa. O’Sensei tinha acabado de morrer e os japoneses não pareciam levar muito a sério a pesquisa. Então, assim que me interessei e descobri algo, encontrei mais e tornou-se mais interessante e quis continuar.

Quais são os seus planos futuros para o Aiki News?

Documentar qualquer aspecto da vida de O’Sensei que possa. Isso significa documentar o Daito-ryu em profundidade. Iremos publicar uma tradução em inglês da biografia de Onisaburo Deguchi este ano. Publicar o maior número de volumes desta série técnica com Saito Sensei que ele queira. Um dia gostaria de publicar uma série técnica do Daito-ryu. Há vários outros mestres que levaram o Aikido noutras direcções. Pessoalmente, não pratico os seus estilos, mas admiro e respeito estes professores. Gostaria de fazer algumas coisas com eles porque penso que o que eles fazem merece a pena. E depois, após uns anos, espero escrever uma biografia de O’Sensei que vai ser séria, e uma vez que vou ser eu próprio a publicá-la não haverá um editor a dizer-me o que posso ou não fazer, ou que está muito longo ou detalhado. Farei apenas o que quiser fazer. Estou a pensar mais em quando eu morrer, o que posso deixar para trás.

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