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Fenda Global no Mundo do Aikido

por Gaku Homma

Published Online

Traduzido por William Soares

Instrutor Norman Navarro, Homma Kancho,
A coordenadora de esportes da Universidade
e Susan Kinne Sensei

À medida que o avião aterrissava no aeroporto de Manágua, Nicarágua, eu olhei pela janela para o meu primeiro vislumbre deste novo país. Ao longo dos dois lados da rodovia havia muitos montes feitos pelo homem com aberturas próximas ao topo como bocas abertas. Conforme nos aproximávamos do chão, parecia que os montes é que estavam se aproximando do avião em uma rápida precisão com bocas bem abertas. Eu descobri logo em seguida que esses montes eram na verdade bunkers utilizados na última guerra civil da Nicarágua.

Enquanto me dirigia do aeroporto para a cidade de táxi, eu falei com o motorista a respeito do que eu tinha visto. “Eu fiquei surpreso de ver bunkers em ambos os lados da rodovia”, eu disse ao motorista. “Essas foram as minhas primeiras boas-vindas à Nicarágua e foi um pouco estranho”. Ele ria enquanto me respondia, “os bunkers não me incomodam agora, porque eu deveria me preocupar com bunkers vazios? E os canhões não estão mais aqui. Esta estrada na qual estamos agora, eu ainda posso ver os corpos empilhados até as alturas em ambos os lados da estrada, todos vítimas da guerra. A área para onde estamos indo, ao redor do seu hotel, era o centro de Manágua e havia muitas igrejas, lojas e restaurantes. Era um lugar muito movimentado e cheio de atividades. Nada sobrou do que era antes, foi tudo devastado durante a guerra. Hoje o centro da cidade foi reconstruído por estrangeiros e por dinheiro estrangeiro; não se parece mais com Manágua, parece com outro país. Ali também havia muitos corpos. Onde está aquele restaurante era um posto militar. Cerca de quarenta pessoas morreram ali em um único dia. Eu também lutei para o governo contra os rebeldes. Eu não quero segurar uma arma nunca mais na minha vida. Agora minha vida está bem. Eu dirijo um táxi, não tenho patrão, com um dia bom de negócios eu consigo alimentar minha esposa e crianças”.

O motorista continuou à medida que nos dirigíamos para a cidade. “Nicarágua foi governada por uma ditadura desde 1936. Essa ditadura foi derrubada em 1979 e um novo governo foi formado. Não muito depois começou uma guerra civil entre o governo e guerrilheiros rebeldes contra o governo que durou até 19988. As vítimas dos contra foram numerosas…”. Eu o ouvi enquanto ele dirigia. Ela falava como se tivesse sido ontem, de tão vívido que estava em sua mente, da mesma forma que pareciam as feridas.

Esta guerra terminou em um cessar fogo de 1989. Foi nessa época que uma jovem mulher dos Estados Unidos chegou em solo nicaragüense para ficar. Ela viu a devastação que teve lugar em Manágua, e viu o sofrimento das pessoas de primeira mão. Ela se viu surpresa ao pensar que havia esperança nesta devastação, e que ela havia encontrado o seu novo lar, e uma nova missão na vida. Susan Kinne tinha na época trinta e oito anos de idade.

Susan Kinne começou a praticar Aikido em Cincinnati, Ohio em 1976 no que agora se tornou o Aikido Cincinnati. Em 1976 não havia instrutor formal ou afiliação, e o grupo era mais um clube de prática do Aikido do que um dojo. Os membros se instruíam indo a seminários e trazendo de volta o que eles podiam praticar. Em 1979 Susan deixou os Estados Unidos para visitar Cuba pela primeira vez. Eu fiquei um pouco hesitante em perguntar Susan sobre suas razões para visitar Cuba naquela época, Considerando que essa foi a época na história dos E.U. do Watergate, o fim da guerra do Vietnam e do movimento anti-establishiment [contra a classe dirigente] hippie apenas para citar uns poucos. Na época as relações entre Cuba e os Estados Unidos eram tensas para dizer o mínimo, e em um determinado ponto quase que estourou uma nova guerra. Como todos os jovens da época, eu suspeitei que Susan também estava envolvida em uma busca pela alma; tentando encontrar o seu lugar em um mundo em mudança. Ela me disse que visitou Cuba para estudar espanhol e o seu sistema educacional. Nesta resposta eu senti que estavam mascaradas razões mais profundas que guiavam muitas de suas paixões da juventude. Ele me disse que havia ido à Cuba não para encontrar problemas ou controvérsias, mas para ver as coisas por ela mesma, e a respeito de si mesma.

Ela sorriu a dizer que, “Ser jovem é um tempo para descobrir a si mesmo. Eu queria ver as coisas por mim mesma”. Nessas palavras estava uma qualidade essencial que moldaria o futuro de Susan em direção à Nicarágua. Apaixonada pela cultura latino-americana que ela havia vivido em Cuba, Susan passou algum tempo no México em 1980, de novo para estudar espanhol. Nos oito anos seguintes ela continuou seus estudos e realizou duas viagens curtas para Nicarágua como voluntária técnica.

Em setembro 1989, Susan retornou à Nicarágua, desta vez, embora eu não acho que ela estivesse consciente disso, para formar seu novo lar. Uma semana depois de chegar à Nicarágua, Susan estava trabalhando no campus da Universidade da Nicarágua onde ela estava envolvida como voluntária com reparos eletrônicos e de computadores. Ali, no parque, ela avistou uma jovem vestindo um Judo gi (uniforme de prática). Ela seguiu a jovem e descobriu que ela praticava Judo com o time feminino de competição de Judo nacional. Esse foi o ponto de virada para Susan no novo país. “Se havia mulheres praticando Judo aqui, eu podia praticar também. Eu posso começar a prática do Aikido aqui na Nicarágua”.

Susan descobriu a agenda de aulas do Judo, e reservou o período entre as aulas do Judo para dar início ao primeiro grupo de Aikido da Nicarágua. A primeira aula aconteceu no dia 6 de outubro de 1989. No final dos anos oitenta o Judo era uma arte financiada apelo governo e pela universidade, então os estudantes de judo tinham um bom espaço e um bom tatame. Para a boa sorte do recém formado grupo de Aikido, o grupo de Judo teve a oportunidade de treinar no exterior para a Competição de Judo da América Central e deixou o espaço de prática por um longo período de tempo; deixando o espaço para o novo grupo de Aikido. Foi uma atmosfera conveniente e conducente e muitos estudantes começaram a praticar. Classes vicejaram, e estudantes começaram a, realmente, florescer.

Infelizmente isso não iria durar. O Departamento de Arquitetura da Universidade decidiu utilizar o espaço para escritórios. Depois de ter perdido o espaço na Universidade, o grupo praticou em muitos lugares fora do campus. “Nós éramos iguais a ciganos!” Susan se lembra. Eles praticaram até mesmo no fundo de uma piscina vazia coberta com palha de arroz e uma lona. Esta existência tipo “cigana” durou aproximadamente por um ano, mas à medida que os meses passavam, como você pode imaginar, ela foi perdendo muitos estudantes até que restasse apenas um estudante. Havia apenas um foco para Susan, e aquele era a sobrevivência de seu grupo de estudantes de Aikido. O que está acontecendo fora do mundo do Aikido se torna cada vez menos importante quando você está lutando para sobreviver.

Nos anos seguintes Susan e seus estudantes praticaram em vários lugares diferentes, o mais notável foi com o Time Nacional de Treinamento Masculino na UNAN com um treinador salvadorenho. O treinador de Judo salvadorenho esteve lá por apenas três meses para treinar o time de judo para competição, e Susan foi a única a se exercitar com eles. Quando eles foram embora o seu horário vagou e Susan transferiu seus poucos estudantes para a UNAN. As aulas aconteciam as 6:30 da manhã e duraram alguns poucos anos. Depois de muitos altos e baixos, em 1995 Susan Kinne Sensei e seus estudantes finalmente encontraram um lar permanente na Universidade da América Central. A prática começou novamente a todo o vapor e em 1997 o primeiro instrutor japonês foi enviado do Japão à Nicarágua como parte de um programa do governo chamado JICA (Agencia japonesa de cooperação internacional) que envia voluntários de diferentes especialidades para todas as partes do mundo pelo período de dois anos. O JICA é um programa maravilhoso que já ajudou muitos em nosso planeta a desenvolverem melhores condições de vida. Atualmente não há instrutores do JICA na Nicarágua, mas o grupo de Aikido possui aproximadamente sessenta membros que praticam em três localidades diferentes; duas em campus universitários e um fora do campus em Manágua.

A prática do Aikido, no entanto, não possui o status de outros esportes que trazem mais notoriedade à Universidade. Dessa forma, as aulas de Aikido são ministradas entre as aulas de Judo, Taekwondo e Karatê. “A mensalidade que custa U$2.50 por mês, ainda é um encargo pesado para muitos” Susan me disse com um sorriso, “mas”, ela continuou, “em cada dojo todos os estudantes são meus estudantes”. Isso tem sido muito difícil. Nós temos trabalhado muito duro, mas ainda leva quatro anos para que possamos juntar 600 Cordova (cerca de U$ 320,00)”.

“Nos anos iniciais, eu acho que era difícil para uma mulher ser capaz de demonstrar ao mesmo tempo o lado duro e o lado suave do Aikido. Eu encontrei alguma resistência, e a minha resposta foi a de responder resistência com resistência. Finalmente comecei a me dar conta que bater cabeça contra cabeça não iria me levar a nada. Minha resistência era parte do problema. Uma vez que eu entendi isso, eu comecei a lidar com esses conflitos com um novo entendimento. Eu fiquei mais preparada para lidar como os estudantes sob o meu comando e com a energia de filhotes que todos eles pareciam ter. Eu aprendi a não resistir, mas me manter mais calma, vazia e aberta. Isso pareceu funcionar, e a relação com os adversários e estudantes começou a mudar”.

Susan Kinne Sensei hoje trabalha com Energia Solar e outras fontes renováveis de energia tanto com agencias do governo quanto com organizações não governamentais. Ela também disponibiliza grande parte de seu tempo para ajudar e aconselhar os outros. Um de seus protegidos e estudantes de longa data é Norman Navarro que começou a praticar Aikido com Susan em 1993 aos dezoito anos. Susan não tem sido apenas o Sensei de Aikido de Norman por vários anos, mas também um tipo de mãe. Ele também praticou seriamente com o primeiro instrutor do JICA que veio para a Nicarágua. Hoje Norman trabalha e estuda na UCA e ensina Aikido no dojo de Aikido da UCA.

Norman teve bastante sorte ao visitar o Japão, uma visita arranjada pelo primeiro instrutor do JICA, mas foi incapaz e realizar um sonho há muito desejado. Viajando pra Tóquio, ele ficou na Vila Olímpica, uma instalação que era parte de um antigo complexo de casas das olimpíadas de Tóquio. Tóquio, no entanto, era um lugar muito caro e Norman descobriu que as suas parcas economias se iam depressa. Ele chegou à porta do Hombu Dojo apenas para sair sem praticar; ele não podia pagar as taxas das aulas. Mesmo com esse desapontamento, Norman se lembra de sua experiência no Japão com orgulho e voltou para praticar entusiasticamente na Nicarágua.

Além das barreiras monetárias que muitos aikidoístas enfrentam ao redor do mundo, há outra barreira de grande dificuldade que muitos não conseguem ultrapassar; o problema da promoção e graduação. Para Susan Kinne Sensei, este é um problema com o qual ela tem tido que lidar por anos. “Eu tenho pouca preocupação com minha própria graduação, mas eu me preocupo com as minhas crianças. Eu quero vê-las conseguindo a graduação que elas merecem”.

Enquanto estive na Nicarágua eu fiz o máximo que pude para estar com Susan Sensei e ouvir a sua estória. Ela é uma mulher muito educada, e de muito boas maneiras. ela nunca falou mal de outros, mas eu pude sentir em suas frustrações que estas vinham de longa data. Eu pude sentir que ela se sentia mal e um pouco culpada por não poder prover seus estudantes com promoções diretamente afiliadas e graus de faixa preta. Eu já havia ouvido essa estória antes. Este problema não está limitado à situação de Susan. Este é um problema que está presente em muitos países subdesenvolvidos que eu visitei nos últimos anos. Eu tentei explicar a ela que isso não era sua culpa ou apenas seu problema, que isso é uma fenda que pode ser vista globalmente no mundo do Aikido.

Norman Navarro, um dos estudantes mais antigos de Susan Sensei tem praticado Aikido diligentemente por cerca de dez anos. Norman, como outros, no entanto, não teve a chance de receber o grau de shodan diretamente de qualquer grande organização de Aikido. Norman e outros estudantes que eu encontrei na Nicarágua são excelentes praticantes e praticaram no mesmo nível de muitos shodans ou nidans nos Estados Unidos, e, no entanto, muitos poucos dentre eles tiveram a chance exames diretos. Todos eles, de uma certa maneira, se encontram desassociados.

O dojo natal de Susan Sensei, em Cincinnati, se tornou afiliado à USAF depois que ela deixou os Estados Unidos. Susan naturalmente assumiu que ela também fazia parte da USAF por afiliação, da mesma forma que seus estudantes de Aikido. Quando o primeiro instrutor do programa JICA chegou do Japão em 1997, ele se tornou a nova figura paterna do dojo. Isto teria reforçado o sentido de pertencimento se este instrutor fosse membro da USAF, mas suas raízes, organização e estilo eram completamente diferentes. Este instrutor realizou muitas coisas boas para os estudantes na Nicarágua, mas conforme as regras do programa da JICA especificavam, ele teve que partir depois de dois anos. O segundo instrutor do programa da JICA que foi enviado do Japão se tornou o segundo pai para aqueles estudantes. Ironicamente, ainda que tenha tido um impacto positivo em sua estadia na Nicarágua, ele não era afiliado nem à USAF, nem à organização do primeiro instrutor voluntário da JICA.

Achar que Aikido é Aikido é que isso não faz nenhuma diferença é ingênuo. Felizmente e infelizmente, lealdades levam à política, e a política tem o efeito de uma onda que atinge os cantos mais distantes do mundo. Mesmo em uma mesma organização, Aikikai, por exemplo, instrutores diferentes, ensinam de formas muito diferentes, e seus estudantes praticam de forma muito diferente. Mesmo o modo no qual o exercício de funekoi undo (exercício de remar) é executado pode variar bastante entre escolas e instrutores. A diferença entre instrutores de organizações completamente diferentes pode ser fundamental e levar a dificuldades, especialmente quando se tenta estabelecer uma linhagem.

A JICA tem enviado voluntários para diferentes partes do mundo com diferentes especializações, para o benefício de muitos. A JICA é um programa maravilhoso que tem ajudado a muitos em nosso mundo a ter uma vida melhor. O que se deu não foi sua culpa, eles não têm tempo nem experiência para entender os possíveis efeitos de se enviar instrutores sem nenhuma relação para a mesma área. Os dois instrutores da JICA enviados do Japão à Nicarágua, eram, no seu modo, “pais” para aquele grupo. Cada um também ensinou durante um período diferente, então eles cultivaram lealdades de diferentes gerações de estudantes. É natural então, eu suponho, que as “crianças” tenham lutado por liderança entre eles depois que os instrutores se foram. Estudantes que são sérios em sua prática, naturalmente desenvolvem lealdade para com seus instrutores. Discordâncias a respeito de exercícios simples podem surgir se estudantes no mesmo grupo aprendem suas técnicas de diferentes fontes. Conflitos podem surgir de tal forma que ameaçam a própria existência do grupo.

Os dois instrutores estavam relacionados no fato de que ambos eram voluntários enviados pela organização JICA, mas por outro lado o seu estilo e afiliação de Aikido não estavam relacionados. Neste caso, o que resultou foi o fato dos estudantes terem sido deixados de lado sem uma identidade clara e sem chance de promoção.

Os esforços dos voluntários da JICA em outros países são bem vindos e apreciados. Minhas conclusões a respeito dos resultados neste caso particular é que eles foram causados devido a uma certa ingenuidade, mas com um pouco mais de planejamento eu acredito que esses problemas possam ser evitados no futuro. O sistema da JICA é baseado em um período de serviço de dois a três anos, cujo propósito seria o de ensinar diferentes especialidades para residentes de uma determinada localidade de forma que seus membros possam assumir papéis de liderança durante o desenvolvimento do projeto e depois que os instrutores retornarem ao Japão. Eu acho que ajudaria muito se instrutores de Aikido consecutivos fossem escolhidos de uma mesma organização de forma que uma identidade consistente possa ser desenvolvida e que promoções e graduações possam ser alcançadas pelos estudantes envolvidos.

Eu não acredito que tenha sido a intenção de nenhum organizador causar problemas, mas boas intenções nem sempre são realizadas por aqueles às quais elas são dirigidas. Às vezes há resultados conflitantes entre o propósito e os resultados.

Através de todas essas experiências, a mãe do Aikido na Nicarágua, Susan Kinne Sensei, tem assistido o crescimento de seus estudantes, e lhes assistido na medida em que eles passam por conflitos internos e externos. Com um coração sábio Susan entende que suas “crianças” começaram a caminhar com suas próprias pernas e estão tentando achar o seu próprio caminho. “Eu os apoio em qualquer decisão que tomem a respeito de afiliação ou direção futura. Eu só não quero vê-los brigando entre eles ou causando problemas uns aos outros. Eles são TODOS meus estudantes, e isto me faria a pessoa mais infeliz de todas”, diz Susan.

Susan compreende um lado da humanidade que somente aqueles que deixaram o seu próprio país para reconstruir um outro podem entender. Por mais de vinte e cinco anos ela tem visto o verso e o reverso de diferentes situações, o lado limpo e o lado sujo. Ela tem sido parte de um sistema humanitário que tem trazido voluntário aqui [Nicarágua] para ajudar. É tristemente irônico que algumas vezes esses ideais tão bem intencionados, e anos de esforço possam ser retardados pelo envolvimento daqueles que estão envolvidos nos mesmos esforços humanitários.

Uma noite eu me sentei com Susan Sensei e seus estudantes mais antigos. O principal assunto na mesa era a sua necessidade por uma identidade mais clara e por um futuro. Eles não querem continuar como “crianças deixadas para trás”. Meu conselho veio das dificuldades pelas quais passei durante os anos de experiência na comunidade do Aikido. “Vocês têm esperado um longo tempo por uma identidade”, Eu comecei. “Não há necessidade de se apressar para uma direção ou outra. O mais importante ao se escolher uma organização não é o estilo ou a afiliação, mas o que eles podem fazer por vocês. Eu acho que vocês se sentem o degrau mais baixo de uma escada. Vocês estão errados porque vocês não são. Mesmo daqui vocês têm poder, o poder de influenciar o coração de outras organizações. Se uma organização não pode oferecer a vocês aquilo que vocês precisam, vocês têm o poder de dizer não, obrigado. Se vocês estiverem unidos, o seu poder e a sua influência crescem. Às vezes parece que instrutores famosos ditam todas as regras, e exercem poder sobre seus estudantes. Eu acredito que no futuro, o oposto será o verdadeiro, e os estudantes irão escolher e controlar seus instrutores”.

Hoje no mundo do Aikido, Shihans rivais lutam por territórios ou poder; envolvendo seus estudantes em lutas que causam dano e que, às vezes, fazem com que os estudantes deixem o Aikido, às vezes provocam até o afastamento de dojos inteiros. A perda de estudantes é algo que chama atenção de um Shihan reinante. Uma perda de estudantes significa uma perda de dinheiro e poder, especialmente se sua subsistência depende disso.

Se um Shihan quer manter seus estudantes hoje, eu acho que deve ser dada uma atenção muito maior ao sistema de atendimento ao cliente. Eu acredito que já se tenham passado os dias em que as exigências ultrajantes de um Shihan reinante eram toleradas. Há cada vez mais alternativas a cada dia. Para afetar uma organização você não, necessariamente, precisa de dinheiro ou poder. Se vocês por si mesmos se unirem e apresentarem seus problemas a uma determinada organização e não são ouvidos ou não recebem a devida atenção, vocês têm o direito e a escolha de procurar em outro lugar, de dizer sayonara. Se hoje em dias as grandes organizações querem que estudantes se afiliem a elas, essas organizações terão que escutá-los. Do contrário, há outras organizações agora aguardando nos bastidores.

Mulher e Aikidoísta, Susan Kinne Sensei forjou ela mesma um nome e um lugar na história, e ela é parte verdadeira do espírito do Aikido. Ela não é apenas uma instrutora de Aikido. Ela plantou sementes no solo de forma que as futuras gerações possam crescer. Ela é a primeira mulher aikidoísta desta posição que eu conheci. Eu acho que seus anos de esforço foram difíceis. Nós podemos apenas esperar que as flores que ela plantou desabrochem com beleza, e que grandes organizações possam ter a história de Susan Kinne Sensei no coração e que a possam ouvir com sabedoria e compreensão.

A matriz da Nippon Kan AHAN reconheceu Susan Kinne Sensei como membro da IISA (Instrutores em apoio da AHAN) e irá ajudar seus esforços não importando quais organizações ela e seus estudantes escolham para se afiliarem no futuro. Eles sempre serão parte da AHAN.

Escrito por Gaku Homma, Nippon Kan Kancho
Em 15 de agosto de 2004 na Missão de Resgate de Denver Colorado.